Povos indígenas em Minas Gerais e Vale do Aço

Esta é uma imagem  ultrapassada que ainda tange no imaginário de muitos.  Estamos no ano 2012 e precisamos rever nossos conceitos sobre a cultura indígena e a cultura dos  povos que formaram a riqueza étnica do povo brasileiro. Iniciaremos conhecendo um pouco mais da história dos povos que habitaram o interior das matas de Minas Gerais. , principalmente  a região que hoje chamamos de Ipatinga.

Devemos nos perguntar: Como viviam  e o que aconteceu  a   estes povos?

Eles ainda existem? Então, onde  estão?

DOCUMENTO I

PREFEITURA  MUNICIPAL  DE  IPATINGA

ESTADO  DE  MINAS  GERAIS

SECRETARIA MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO

DEPARTAMENTO PEDAGÓGICO/SEÇÃO DE ENSINO FORMAL   

Centro de Formação Pedagógica – CENFOP

 

RESGATE DA HISTÓRIA DOS BOTOCUDOS:

Em entrevista concedida, em setembro de 2008, em Belo Horizonte(MG), ao jornalista Marco Antônio Tavares Coelho, editor-executivo da revista estudos avançados,(Estud. av. vol.23 no.65 São Paulo  2009) sobre temas indígenas – Genocídio e resgate dos “Botocudos” . Ailton Krenak, líder da comunidade Krenak e assessor para assuntos indígenas do governador Aécio Neves, conta um pouco da história do genocídio dos botocudo sobre o ponto de vista dos indígenas.

DURANTE trezentos anos, a região leste do Estado de Minas Gerais não podia ser devassada. A Coroa portuguesa impedia a passagem direta da região das minas até o litoral, para evitar o contrabando de ouro e diamantes. Criou-se, assim, o chamado “sertão do leste”. Com o esgotamento das minas, no fim do século XVIII, tornou-se indispensável derrubar e explorar a Mata Atlântica e exterminar os chamados índios “botocudos”, que enfrentavam os colonizadores. Houve, portanto, o genocídio dos índios. Atualmente, as comunidades indígenas estão renascendo e se fortalecendo, exigem respeito pela sua identidade étnica e o atendimento de suas necessidades.

Nasci em 1953, pois, do final de 1920 até a década de 1940, todas as famílias indígenas foram assentadas por Rondon na reserva do Posto Indígena Guido Marlière, que fica nos municípios de Resplendor e Conselheiro Pena, na margem esquerda do Rio Doce. Nasci do outro lado do rio, porque naquela época essa área começou a ser ocupada pelos criadores de gado. Eles enxotaram os índios dali, que fugiram para o Pankas, no Espírito Santo. Outros foram para o lado do Kuparak.

naquele lugar houve um massacre causado pelos colonos. Incendiaram a aldeia, fuzilaram crianças e as mulheres e mataram muitos a facão. Isso ocorreu no final dos anos 1940 e 1950 e não havia ali nenhuma família instalada pacificamente.

Até 1970, toda a minha gente permaneceu naquele lugar algum tempo – uns por três meses, por um ano e meio – quando da refrega com os colonos. Acabaram todos expulsos. As últimas famílias que persistiam em permanecer foram arrancadas de lá, amarradas em correntes em cima de caminhões e despejadas em outro sítio, que a Secretaria da Agricultura de Minas Gerais trocou com a Fundação Nacional do Índio (Funai) a fim de liberar terra indígena para a colonização.

Despejaram os índios em propriedades da Corregedoria da Polícia, numa Colônia Penal, ou coisa assim. A perspectiva era aniquilar mesmo com o resto das famílias dos índios. Nesse lugar chamado Fazenda Guarani, em Carmésia, foram despejadas algumas famílias. Outras foram para Goiás, porque tinham parentesco com pessoas que viviam na Ilha do Bananal e nunca voltaram. Andei junto com meu pai e com alguns tios e fomos para o interior de São Paulo.

Sou um autodidata. Frequentei uma escola públicaem São Paulo, de primeiro grau. Fiz um curso de artes gráficas no SENAI, quando tinha dezenove anos. Esse aprendizado é que me deu habilitação para fazer todas as coisas que consegui fazer, inclusive obter de volta as terras que os colonos tomaram de minha família. Hoje é uma aldeia Krenak – o Posto Indígena Guido Marlière. O Estado de Minas respeita os limites dessa terra, pois é da União e o usufruto é dos Krenak.

Nos últimos vinte anos, conheci alguns dados que estavam escondidos sobre os “Botocudo”, pois só eram publicados documentos do Arquivo Público Mineiro, apenas informando sobre as campanhas militares contra a minha gente. Depois disso, recentemente, passei a conhecer materiais que estavam fora do Brasil – na França e Portugal. Também tive a oportunidade de visitar um acervo sobre os “Botocudo” num museuem São Petersburgo, na Rússia. Foi um acaso, porque fui atrás de restos da cultura material de meu povo. Esses dados estão em meu texto “O baú do russo”, uma historinha curtinha, onde relato a aventura dessa expedição científica. Nela, há cem anos, no meio de um acampamento “Botocudo”, baixaram alguns homens, remanescentes das campanhas do francês Guido Thomaz Marlière, um jacobino que defendeu minha gente. Marlière teve contato com aqueles guerreiros que conseguiam se articular, fechar os caminhos e dar uma surra nos brancos, desmantelados e sem coesão.

Nessa ocasião, os “Botocudo” estavam desbaratados, jogados nos pés-de-serra. Muitos foram para o vale do Rio São Francisco, outros foram para o Rio São Mateus, e outros se refugiaram para o lado do vale do Rio Mucuri. Havia poucos assentamentos, pois os “Botocudo” dominavam poucos lugares. Ficavam escondidos, parecendo uma manada de gente assustada.

Quando entrou em contato com os “botocudos”, Marlière tentou rearticular um pedaço de gente dizimada, tentando concertar uma política lançada com a declaração de guerra de extermínio, assinada pelo príncipe regente, em 1808. Essa caçada brutal aos “Botocudos” durou duas décadas. Nesse período, chamava-se de “Botocudo” todo ajuntamento de índios, principalmente os apanhados nas matas do Rio Doce, ou até o Espírito Santo.

Muitas pessoas, quando se referem a “Botocudo”, pensam nessa gente do Rio Doce e, no máximo, no massacre da cidade de Conceição do Mato Dentro. Os “Botocudo” não eram ribeirinhos, mas gente do sertão. Gostavam de ficar na beira dos rios porque os rios eram uma fonte de alimentação, além de uma orientação de rota. Na sua natural sabedoria, buscavam lugares saudáveis e com água limpa. Só quando a mata começou a ser infestada de brancos apareceram a malária e outras doenças. Então, os “Botocudo” ficaram com medo de beira de rio.

Essa é a lição contada por nossas avós, como ensina a memória de gente que tinha contato com os brancos. As mais velhas que nossas avós viveram duzentos anos atrás. Elas, quando contavam um caso, partiam do que era contado pelas avós delas.

Os “Botocudos” só começaram a sofrer com as epidemias quando os brancos entraram na mata. Depois do contato com os brancos é que apareceram as doenças, a mortandade de crianças e moléstias na pele. Males levados pelos brancos para famílias de índios. A ponto de os índios de um córrego não socorrerem índios de outros córregos em contato com brancos. Eles até evitavam receber esses índios nos acampamentos porque podiam trazer doenças. Os mais sabidos davam um jeito de ficar sempre pelados, porque tinham medo das roupas usadas pelos brancos.

Estou contando essas memórias, desorganizadas no tempo, pois algumas são lembranças contadas em minha casa. Outras são coisas publicadas em trabalhos de pesquisadores, ou aprendidas em discussões em torno de questões fundiárias ou políticas, nas quais foram surgindo documentos para elucidar alguns casos.

É o ocorrido, por exemplo, quando foi discutido o direito dos “Botocudos” sobreviventes de conflitos sobre a terra, em relação a territórios no médio Rio Doce. Isso porque houve pesquisas em documentos de diferentes fontes para analisar dados do impacto ambiental da hidrelétrica construída em Aimorés, quando foram contratadas consultorias especializadas para fazer o relatório do impacto ambiental.

Por isso, conseguimos uma bibliografia extensa sobre diferentes períodos, de 1700 até 1800, esclarecendo acontecimentos envolvendo a administração, o surgimento de vilas e de fazendas, inclusive os primeiros empreendimentos de modelos capitalistas consolidados mostrando como esse negócio foi mudando.

Teófilo Otoni, Na época, não podia fazer outra coisa. Foi mais ou menos como o Orlando Villas Bôas, pois esse também agiu como humanista no caso do Parque Nacional do Xingu. Se Teófilo Otoni tivesse sido ouvido e respeitado os “Botocudos”, esses não teriam sido aniquilados. Além disso, ele tinha também a ambição de encontrar, no meio dos “Botocudo”, uma gente chamada de aimoré – os tais índios Aimoré.

O Teófilo Otoni era um cara inteligente e honesto. Depois de ter brigado com os “Botocudos”, continuava procurando os aimorés, porque acreditava que eram uma tribo muito valente e tinham um tipo de herança cultural diferente da dos “Botocudo”. Acreditava serem um ramo na história dos “botocudos”. Ora, aimoré é embaré, gente do mato, amba de gente.

Os  aimorés não eram uma etnia. Eles eram chamados de aimorés pelos Tupi do litoral, muito sabidos. Eles chamavam todos índios do mato de embaré, porque usavam esse nome no sentido de serem brutos. Eram jagunços dos brancos e chamavam as outras tribos de gente do mato. Assim, esse nome “aimoré” não nomeia um povo, era um apelido dados pelos Tupi. Teófilo Otoni procurou esses aimorés no meio dos “Botocudo”. Não achou, mas encontrou fragmentos deles, rastros deles.

Então, há uns chamados, por exemplo, Naknanuk. Nak é terra; até hoje no dialeto burum (índio na língua dos Krenak). Kren é cabeça. Então, somos os cabeças da terra. Esse grupo nosso é remanescente dos cabeças da terra. Mas há também os outros, uns refugiados que foram sobrando no meio de nossas famílias. São, por exemplo, chamados de Nakrehé, e tem os outros Pojitxá e os Gutkrak. 

Quando você vai observar esses nomes, entende uma coisa: tudo é nome de lugar. Seria equivalente chamar o pessoal da serra de serrano; o pessoal da beira do rio de ribeirinho; o pessoal de pântano de pantaneiro; e o pessoal da grota de groteiro. Naquele contexto, chamavam todos de “Botocudo”.

Estive lendo o livrinho do Teófilo Otoni e vi como ele mostrou ser inteligente ao observar todo mundo falando desses aimorés, mas ninguém descreveu esses aimorés. Mas sobre os “Botocudos” há diversas referências e ordens sobre os quartéis espalhados, entre Espírito Santo e Minas. Informações sobre centenas deles presos, vigiados e impedidos de sair dos quartéis. Isso ocorreu no final do século XVIII, quando os administradores estavam apavorados e por isso pediram uma ordem de guerra contra os “Botocudos”.

Além disso, esse fato coincide com a liberação do caminho das minas. É insistente essa informação de historiadores escrevendo sobre a liberação da passagem pela floresta do Rio Doce depois de haver se esgotado a extração de diamantes e ouro.

Só depois que liberaram a mata, viram como ela estava cheia de tribos. Até o final do século XVIII, os “Botocudos” ficaram à vontade na mata do Rio Doce. Durante uns cento e tantos anos ficaram ali e a Coroa não tinha nada a ver com aquilo. Depois os brancos decidiram descer o cacete. Antes somente se interessavam pela madeira existente na mata.

Quero colocar uma questão-chave. Há muitas informações sobre o massacre ocorrido na guerra ofensiva decretada pelo príncipe regente, em 1808. Mas não tenho clareza como terminou a guerra. A partir da pregação de Guido Marlière e de Teófilo Otoni, como os “Botocudo” se juntaram? A tradição oral, que chegou até a minha geração, diz que a guerra nunca cessou. Só diminuiu porque um dos lados não tinha mais contingente para combater. Mas os “Botocudos” continuaram sendo sangrados como galinhas, ao longo de todo o século XX.

Darcy Ribeiro apresentou esses índios como extintos. Uma vez, quando ele era secretário de Cultura, do governo Brizola, fui visitá-lo com um grupo de guaranis no Rio de Janeiro. Por coincidência, nesse dia havia caído um temporal. Fomos andando a pé, da rodoviária até a Secretaria. Parecíamos uns pintos molhados. O guarda da Secretaria estranhou e disse que o secretário não iria receber aqueles pedintes descalços, com calças e camisas molhadas. Mas, apesar disso, entramos no gabinete do Darcy para cumprimentá-lo e ele perguntou como é que estávamos. Respondi: “Como você disse que nosso povo está extinto, um fantasma veio lhe visitar. Porque, pelo seu livro, estamos mortos. Quem está extinto não dá notícia”.

Darcy deu uma risada e perguntou: “Continua a matança em cima de vocês?”. Falei: “Claro que continua. Vim aqui pedir sua intervenção junto ao governo para que a Funai e as outras agências do governo parem essa perseguição contra as restantes famílias de ‘Botocudo'”.

O que aconteceu foi o seguinte: quando acabou a guerra, se é que houve o final dessa guerra, uma missão de capuchinhos estava tentando consolidar um assentamento onde viviam mais de 2.700 “Botocudos”. Uns cacos de gente, no final do século XIX, lá num vilarejo em Itambacuri, no vale do Mucuri. Em 1893, houve uma rebelião. Os índios mataram os que chefiavam a missão dos capuchinhos e saquearam propriedades e sítios. De 1893 até 1910, 1915, havia muito ressentimento e ninguém queria ver aqueles índios que fugiram da missão, quase mansos, e que de novo viraram bravos. O problema é que nessa segunda rebelião os índios não estavam mais com arco e flecha, mas com carabina. Começaram a assaltar as tropas com rifle e munição. Tomaram as armas dos tropeiros e formaram uma jagunçagem. No meio dessa jagunçagem surgiu um capitão, um sujeito guerreiro, o capitão Krenak.

Esses guerreiros deram muito trabalho na ocupação do Rio Doce, naquele lugar, que hoje tem o nome de Nanuk, palavra na língua dos “Botocudo”. Nome de um cara rebelde, que comandava uma horda de bravos guerreiros, cercando as tropas. Seguiam pela rota de tropeiros que havia na região, tomando suprimentos de qualquer provedor. Alimentavam os grupos de seus guerreiros na Serra dos Aimorés.

Foi aí que o marechal Rondon, com o Serviço de Proteção aos Índios (SPI), mandou seus bons indianistas/sertanistas, que saíam do Rio de Janeiro, de Cuiabá e de outras regiões, para pacificar os “Botocudo”. Assim foram pacificados esses últimos guerreiros. Desses sertanistas, alguns eram oficiais. Eles atribuíram a patente de capitão a esse Krenak. Somos descendentes da família dele. Trocou o botoque dele, com um fotógrafo, por comida. Roquete Pinto fez uma foto dele quando ele já estava tuberculoso. Em troca de sua foto, ganhou os brincos e os anéis da orelha, que foram levados para o museu.

Desse período de 1910-1925, são pequenas narrativas que contam os momentos de visita de autoridades, os momentos de namoro e depois os momentos de matar todo mundo. Até que, em 1922, por orientação do marechal Rondon e da turma dele que havia criado o SPI, houve a localização desses índios.

Rondon deu um jeito para arrumar um lugar para aqueles índios, demarcando uma reserva, um território para eles, e liberava o entorno dos assentamentos. Chamava trabalhadores nacionais e organizava uma colonização. Rondon dirigia, ao mesmo tempo, o Serviço de Proteção dos Índios e também a localização de trabalhadores.

Acompanhando a história do Brasil até a Constituinte de 1988, não só em Minas, mas no Brasil inteiro, a perspectiva do Estado brasileiro era acabar com índio. Só que na Constituinte houve uma grande pressão para mudar essa política.

Esse negócio de a literatura dizer que os “Botocudo” eram antropófagos é um ato falho, é um truque da má consciência neobrasileira formadora do Brasil. Eles tinham de dizer que minha gente era antropófaga para nos aniquilarem. Participei na Constituinte de 1988 pintando a cara de preto no Congresso Nacional. Estava com 36 anos de idade quando fiz aquilo. Fui defender a emenda popular, pois não se defendia o artigo 231 da Constituição porque ele afirma que o Brasil precisa parar de matar índio e assegurar os direitos para os índios restantes.

Isso tudo foi uma ruptura com o que havia acontecido no passado. Mudança que o Estado não conseguiu assimilar até hoje, pois o Estado ainda tem cacoetes. O Estado parece uma daquelas feras que ficam mansas, mas, de vez em quando, ainda comem alguém. Ainda agora há os pit bulls soltos láem Roraima. Eles se esquecem de que há uma Constituição. Mas o ministro do Supremo Tribunal Federal lembrou muito bem em seu voto, dizendo: “Tirem os dentes, tirem as presas”. O que aconteceu da Constituinte para cá foi um fenômeno fantástico, o surgimento de nova identidade.

No século XX,em Minas Gerais, se dizia que não havia mais índios, ou que no máximo havia “Botocudo” sobreviventes e Maxacali (aqueles de Mucuri, de Santa Helena e Bertópolis). Esses Maxacali são um fenômeno impressionante, pois não se aculturaram. Você chega numa aldeia maxacali e eles estão falando a língua deles, vivendo na religião deles, vivendo no mundo deles. Pelo menos nos últimos duzentos anos ficaram isolados. Tempos atrás estiveram em Diamantina e em outras regiões, no Jequitinhonha. Mas, nos últimos duzentos anos, fizeram um movimento e se fixaram nessa região do Mucuri. Eram inimigos preferenciais dos “Botocudo”. Quando não havia branco para brigar, os “Botocudo” brigavam com os Maxacali. O que resultava em roubo de mulheres de um lado e do outro. Logo, nós somos parentes, somos parentes porque nossos grupos guerreavam e tomavam crianças uns dos outros, e mulheres uns dos outros.

Os maxacalis eram considerados as últimas famílias indígenas sobreviventesem Minas Gerais, quando, por volta de 1970/1980, houve o ressurgimento dos Xacriabá que estavam submersos na história e começaram a reivindicar terra, direitos e identidades. Hoje é a população indígena mais numerosa do Estado de Minas. São mais ou menos oito mil índios, enquanto os Krenak são duzentos e poucos. Numericamente nós não existíamos e eles existiam. Mas até o século XX não existiam.

Hoje os Maxacali são uns 1.200 ou 1.300. Se juntar esses povos, que ficaram nesse lugar demarcado, atravessaram o século XX, eles são os Krenak, Maxacali e Xacriabá. Hoje, quando se olha o site da Secretaria de Governo encontram-se nove tribosem Minas. Que fenômeno é esse? Os Patachó, que fugiram lá da Bahia, perseguidos pela turma do Antônio Carlos Magalhães, se refugiaram em Minas, na década de 1960/1970. Os índios parentes de Graciliano Ramos, de Palmeiras dos Índios, Xukuru-Kariri, fugiam da miséria, do desmando político, da violência, e vieram para o sul de Minas, que os recebeu. Aqui há três grupos de famílias indígenas: Pataxó, Xukuru-Kariri e Pacararu.

Foi tão bom esse período de ressurgimento das comunidades indígenas que, quando o governador Aécio Neves me chamou, em 2003, e me perguntou como estavam os índiosem Minas Gerais, respondi: “Estão muito mal”.

O que dá resultado é tratar esse conjunto de famílias tribais, remanescentes desses povos – Xacriabá, Maxacali e inclusive dos que migraram para cá vindos do Nordeste, Pataxó, Xukuru-Kariri, Pacararu, além dos nativos Aranã e Kaxixó – como cidadãos que têm direito à proteção do Estado, sem discriminação. Eles têm direito às políticas públicas no sentido de atendimento às mães, quanto ao nascimento de seus filhinhos, o pré-natal e o acompanhamento dessas mães até que a criança faça cinco anos de idade. Têm direito à alimentação. Deve-se respeitar o direito dos índios de continuar morando em casa de palha que fizeram, dando a eles e elas a oportunidade de, se quiserem, ter uma habitação adequada. Porque não admito que arranquem um costume, que é próprio de uma família indígena, para botá-la num conjuntinho residencial do Banco Nacional de Habitação (BNH).

A gente não tem povo indígena vivendo num apartamento do BNH ,em Minas Gerais, pois temos nos esforçado para arrecadar terras públicas, seja terra da União seja terra do Estado, para criar assentamentos adequados para atender às necessidades dessas famílias indígenas. Uma família indígena reduzida a 200 ou 300 indivíduos não quer viver nos fundos de uma fazenda, hostilizada por pecuaristas ou por garimpeiros. Ela sente a necessidade de estar num lugar mais parecido com essas unidades de conservação, num parque ou numa unidade biológica.

Estamos argumentando no sentido de que os índios possam ter acesso a um lugar desse tipo e que o Estado crie os instrumentos para que eles possam viver desse modo, não agredidos pelo município ou pelos vizinhos. Isso deve ser feito através das secretarias de Estado, como as da Saúde, do Meio Ambiente, de Agricultura ou de Bem-Estar Social. Programas públicos para realizarem ações que atendam a questões como água potável, para eles pararem de beber água de córrego que está envenenada com agrotóxico, com esgoto, com detritos de todo tipo.

A água do Rio Doce está muito ruim. No meio dela há partículas de mercúrio, bauxita e outros minérios pesados, fora os resíduos jogados no Rio Doce pelos municípios, desde o Rio Piracicaba. Quando a gente toma banho, sai bronzeado, mineralizado. Num seminário no médio Rio Doce acusei os municípios de serem responsáveis por jogarem detritos no rio. Uma pessoa se levantou e disse: “Em Ipatinga não se faz mais isso, pois tratamos de nossa água, antes de jogá-la no Rio Doce”. Ora, mas,em Governador Valadares, jogam restos de hospital, sofás velhos, televisões e até geladeiras dentro do rio. Todo mundo na beira do Watu (nome que os índios dão ao Rio Doce) acha que ele é o depósito de todos seus restos.

Temos um programa chamado Piei (Programa Estadual de Implantação das Escolas Indígenas). O Estado de Minas tem hoje duas mil crianças indígenas em sala de aula, com professor bilíngue da aldeia. Todas a aldeias têm uma escola indígena bilíngue, com professor nativo local, que foi habilitado pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), em oito módulos de quatro anos, para se tornar um professor habilitado em magistério.

Desses professores, 140 deles estão fazendo licenciatura na Universidade e vão se graduar em 2010 como educadores em língua e literatura. Nossa população é de nove etnias diferentes. Dessas etnias, só três mantêm a língua materna. Mas mesmo aquelas que não têm a língua materna estão tendo subsídio e material didático de apoio a fim de trabalharem a reintrodução da língua materna. Estamos gerando esses materiais com apoio não só em programas estaduais, mas também em programas federais, porque o Ministério da Educação tem um comitê de educação indígena que foi implantado no governo de Fernando Henrique. Esse comitê tem se constituído num espaço bem democrático de pluralidade.

O material didático é impresso em português e na língua materna, caso o grupo tenha memória da língua materna, porque não tem sentido mandar um texto escrito em língua tupi do tempo de Anchieta para uns remanescentes de índios tupis, mas que não conhecem mais essa língua.

 A disputa religiosa, não é feita somente pela igreja católica, atualmente foi incrementada pela chegada dos evangélicos. Antes, os missionários queriam só as almas dos índios, agora eles disputam com os evangélicos a governança dos índios. Se você catequiza o índio e o deixa seguir a vida dele, tudo bem. Mas se catequizá-lo e ficar mandando, fazendo a governança de suas vidas, organizando em comunidades, sindicatos, associações e coisa que o valha, isso eu acho grave.

A disputa dos índios por católicos e evangélicos cria um agravamento da crise de identidade desses índios. Essas disputas são esvaziadoras do conteúdo cultural que os índios herdaram. Estou falando da Pastoral da Igreja Católica, mas os evangélicos também estão fazendo a mesma coisa. Querem ficar pau a pau com os católicos para ver quem controla o índio.

Com aquelas mudanças do concílio dos anos 1960/1970, aquelas coisas de Leonardo Boff, da Teologia da Libertação, dizem que estão espalhando cultura ecumênica. Os missionários da Teologia da Libertação falam com os índios que estão encarnando a cultura indígena. Você pode encontrar um missionário dançando com o pajé, mas esse negócio do missionário dançar junto com o pajé é só conversa. Porque na verdade, quem prega, quem instala o bastão lá dentro, prega a cruz, marca a hora do catecismo, é o missionário, não é o pajé.

O que observo nessa virada do século XX para cá é que o fenômeno da globalização, junto com essas outras manifestações locais, como a disputa com os evangélicos, estão jogando os índios num liquidificador, indiferentemente se são índios tradicionais ou índios aculturados. Eles querem tirar daí médicos, técnicos, vereadores, políticos, administradores, educadores, professores.

Na verdade, costumo dizer o seguinte: dois séculos de guerra bruta não conseguiram fazer o serviço que um pequeno período de democracia está fazendo – o de integrar de maneira absoluta essa diversidade cultural.

Índios são uma generalização absurda, porque acaba com isso que nós estamos falando que é a possibilidade do menino na aldeia ensinar a seus irmãos, do avô ensinar a seus netos a sua história, ensinar na sua língua seus valores e a sua tradição.

Esvaziam tudo isso e enfiam lá um monte de representação e dizem: “Essa é do comitê de não sei o quê”, “o conselho de mulher”, “o de saúde”, “de educação”. Eles vão esvaziando a identidade desse índio e ele acaba virando uma espécie de uma figura parecida com sindicalista.

Essa novidade de todo mundo virar cidadão (de forma compulsória) tira também das pessoas a possibilidade de elas continuarem vivendo de alguma maneira a memória de sua tradição, de sua cultura. Daqui a pouco eles vão perder a possibilidade de ter um terreiro dentro da aldeia onde as pessoas ficam sentadas, calam a boca e escutam os velhos. E quando um velho vier e falar assim: Esse mês nós vamos nos recolher numa ilha do Watu e vamos fazer os ritos de passagem dos que têm menos de onze anos de idade. Eles vão ficar afastados do convívio de suas mães e de suas famílias e vão ser iniciados na história dos velhos que não podem ser contadas publicamente. Quando não puder fazer mais isso não irá fazer diferença nenhuma ter língua diferente. Papagaio repete também língua diferente!”.

A importância de ser bilíngue e de ter liberdade para pensar é continuar uma narrativa, seja recebida no sonho, nos ritos, nisso que eles chamam de religião. Índio não tem religião. O mais autêntico que a gente pode identificar num núcleo de uma prática dessas famílias desse povo antigo é a continuação da tradição. Uma tradição que remonta aos mitos da criação do mundo.

Então, assim é muito bom quando os Krenak podem se recolher no taruandé, que é um rito que os Krenak guardaram na memória deles. Taru é o céu, taruandé é um movimento que o céu faz de aproximação com a Terra. No taruandé os meninos que ainda estão engatinhando, os homens, as mulheres, os mais velhos cantam e dançam juntos, como uma brincadeira de roda. Repetindo frases na sua língua materna que diz: “O meu avô é a montanha”, “Você é meu avô e o rio”, “Você é peixe pra eu comer”, “Você me dá remédio para a minha saúde”, “Você esclarece minha mente e meu espírito”, então “O vento, o fogo, o sol, a lua”.

Ficam repetindo essas frases na sua língua ancestral, batendo o pé no chão, tocando maracá, acendendo fogo, pulando na água fria, buscando saúde, fazendo a terapia muito especial e afirmando a sua própria identidade diante do mundo avassalado por propaganda, consumo e besteiras de todo lado.

O que eu valorizo é isso. É que ainda possa ter famílias que olham para si mesmas; não sintam vergonha de ser quem são; não têm vergonha de morar em casa de chão batido; não têm vergonha de cozinhar num fogareiro de cupinzeiro, em cima de pedra; não têm vergonha de comer carne moqueada, comer peixe moqueado assado na pedra, comer batata e mandioca tiradas de baixo das cinzas; não têm vergonha de fazer isso. Acham que fazer isso é um jeito de continuar sendo “Botocudo”.

Ora, os árabes, os judeus, os japoneses também batem tambor, comem de palitinho. É um jeito de eles continuarem sendo árabes, judeus, japoneses. Por que a gente não pode continuar sendo “Botocudo” em qualquer lugar? Essas pessoas têm que ter o direito de continuar ensinando para seus filhos os valores que até hoje eles trouxeram vivos consigo.

 O governador Aécio Neves me perguntou: “O que dá pra fazer pelos índios?”. Respondi: “Podemos fazer o que Guido Marlière fazia quando cuidou da questão dos índios, no gabinete militar do Império”. Então, desde 2003, o governador me deu um mandato, de assessor especial para assuntos indígenas. Sou vinculado à Secretaria de Governo. Ele me disse então: “Você vai criar o programa para inclusão social dos que ainda restam de povo indígena no nosso Estado, porque não queremos que sejam aniquilados e desapareçam”.

Assim, de certa maneira, a guerra contra os índiosem Minas Geraissó parou com o governador Aécio Neves. O governador me perguntou se teria sentido criar uma Secretaria de Assuntos Indígenas. Respondi que em Minas não há uma população indígena que justifique a criação de uma Secretaria de Estado. Assim, propus fazer meu trabalho no gabinete dele. Disse-me que, então, eu deveria trabalhar em nível de igualdade com qualquer secretário. Empossou-me e avisou aos demais secretários para colaborarem comigo, a fim de cumprir minha missão. O objetivo é trabalhar para que em Minas sejam respeitados os direitos humanos e sociais dos índios.

Tenho, portanto, o compromisso de agir assim até 2010. Nosso propósito é criar um Centro de Referência da Cultura Indígena e um Memorial Indígena, na Serra do Cipó, um sítio que se chamará Monumento Natural da Mãe D’Água. O Instituto Estadual da Floresta, junto com o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais (Ibama), está demarcando esse sítio. É cheio de grutas, cavernas e sítios arqueológicos da maior relevância. Dentro desse memorial vamos recolher o acervo que foi para a Rússia, a fim de resgatarmos cem anos da cultura material dos “Botocudo”. Eles são os primeiros registros das escritas fonéticas de “Botocudo” gravados por essa expedição russa. Em torno desse acervo deveremos ter um espaço para a formação de jovens indígenas, a fim de administrar seus territórios, tendo em vista sua educação e saúde, além de outros objetivos.

estudosavancados@usp.br  

http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-40142009000100014&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt   entrevista completa.

PESQUISA REALIZADA PARA FINS DIDÁTICOS, MAIO E JUNHO DE 2010.

DOCUMENTO II 

PREFEITURA  MUNICIPAL  DE  IPATINGA

ESTADO  DE  MINAS  GERAIS

SECRETARIA MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO

DEPARTAMENTO PEDAGÓGICO/SEÇÃO DE ENSINO FORMAL  

   Centro de Formação Pedagógica – CENFOP

Índios Botocudos do Rio Doce

“BOTOCUDO”, UM POUCO DE HISTÓRIA

Todavia, importantes viajantes europeus, que vieram ao Brasil para desvendar os trópicos, presentes a este cenário de guerra, relataram e escreveram o que viram, gerando reações de indignação e solidariedade aos botocudos na Europa, pois não viam motivos plausíveis para privá-los de sua liberdade. Resultou na vinda de humanistas ao Brasil, trazendo no meio deles um experiente combatente do Exército francês, o capitão Guido Thomaz Marlière.

Por volta de 1808, já ia longe o massacre dos índios botocudos. A região era um verdadeiro palco de guerra onde militares e sanguinários caçadores de negros se esmeravam para dar fim a uma das mais importantes nações indígenas da época.A extinção dos botocudos fazia, inclusive, parte dos planos do Império, a ponto de ser editado um decreto pelo conde Linhares (dom Rodrigo Coutinho), seu ministro da Agricultura, oficializando o massacre. O decreto premiava todos aqueles que capturassem ou matassem um botocudo. O terror se convertia em lei. Foi o jeito encontrado pela Coroa para abrir o caminho às minas de ouro de Minas Gerais e, conseqüentemente, ao povoamento da região do rio Doce.

A guerra aos Botocudos declarada em 1808, foi apenas uma das ações engendradas pela Coroa Portuguesa. As demais Cartas editadas neste mesmo ano estimulam a ocupação de terrenos, a mineração e autorizam a instalação de usinas na região, seguindo à risca a receita apresentada pela Academia de Ciências.

Na primeira década do século XIX, o assunto do momento era o esgotamento das minas no Brasil. A Academia alegava que os impedimentos mais cruciais para desenvolver a região do Rio Doce eram os índios Botocudos, as febres e as cachoeiras. Propunham, para tal, o extermínio dos índios e o incentivo à mineração, agricultura e comércio na região.

“bravo gentio”- Habitavam a região os índios da grande família Aimoré (tapuias) e, mais especificamente no Vale do Aço, os da tribo Zamplam. De acordo com o historiador Rogério Piva, “no século XVI os índios eram conhecidos pelos portugueses com o nome de Aymorés e, no final do século XVIII, passaram a ser chamados de botocudos”. apelido que surgiu da comparação dos enfeites que estes usavam, em suas orelhas e lábios, ao botoque (rolha com que se fecha o barril de cachaça).  A tribo dos krenak  faz parte do grupo dos botocudos que viviam no Norte do Espírito Santo. Estes grupos, pertencentes à nação Jê.

Em vez de retornar ao seu país de origem, como fizeram os demais observadores europeus, ele radicou-se na região do rio Doce, tomando para si a luta dos índios. Ele entrou em conflito com a Coroa, a ponto de haver sido preso sob suspeita de se encontrar no país a serviço de Bonaparte.

Posteriormente a esse episódio arbitrário, beneficiado pelo clamor europeu em favor dos botocudos, que se acentuou mais ainda com as informações levadas pelos observadores e principalmente pelos seus viajantes, com destaque para Saint-Hilarie, o governo recuou no propósito de eliminar os botocudos pela via das armas.

Quanto à capacidade de resistência dos botocudos, é necessário dizer que eles não eram uma presa comum como os demais índios, mas destemidos e indomados índios. Os registros de suas lutas os elevam ao grau do selvagem mais bravo de todos os que existiram em território brasileiro, a ponto de a história registrar que nunca foram derrotados, mas chacinados. Sustentaram quatro séculos de luta.

Neste período da chegada de Marlière, a Coroa Real já havia abandonado a idéia de usar a região como acesso às minas de ouro de Minas Gerais. Havia optado por colonizá-la através de núcleos. Para tanto, importou imigrantes estrangeiros. Trouxe principalmente italianos e espanhóis, esses últimos originários da ilha de Lançarote. Até norte-americanos vieram e foram localizados numa colônia especial, que recebeu o nome de Fransilvânia. Mas nenhum desses núcleos, especialmente os que foram localizados em território capixaba, resistiram aos botocudos. Tratados como invasores, foram também expulsos por eles da região.

A Coroa reagiu à expulsão dos colonos europeus e tornou a enviar contingentes militares, dessa vez organizados em divisões militares, para garantir o assentamento de colonos, principalmente de italianos, novamente redistribuídos mas de forma individualizada pelo território dos botocudos. Neste período, Marlière teve as maiores dificuldades para conter as investidas militares em cima dos botocudos, sob alegação de que “os botocudos, como os seus conterrâneos franceses, só gostavam de guerra”.

Nenhuma necessidade militar, entretanto, impunha o recurso da carnificina. Havia um ódio, uma sede de sangue na ação deles. Mas mesmo nesta atmosfera impregnada de ferocidade, os guerreiros botocudos resistiram às divisões militares, equilibrando no número de batalhas vencidas. A essa altura dos conflitos, a Coroa recuou e resolveu criar um cargo para ser ocupado por Marlière, com o objetivo de ele próprio pacificar os botocudos e outras tribos indígenas. O capitão do Exército francês tornou-se Diretor Geral dos Índios. Isto por volta de 1819, pois entre 1808 e 1819 ele havia convivido somente com os botocudos, ganhando total confiança deles.

Não resistindo às saudades da selva e dos amigos botocudos, ele não ficou sequer três meses no cargo. Mas a Coroa negociou com ele outra função. Com o objetivo de conter os botocudos, criou para ele o cargo de comandante das Divisões do Rio Doce. Marlière respondeu ao convite dizendo que “quem quer bem aos índios vive com eles”. Aceitou.

Marlière iniciou a sua tarefa de pacificar os botocudos pela criação de quartéis, em regiões estratégicas, ao longo das margens do rio Doce, em territórios capixaba e mineiro. Tomou para si a missão de integrá-los à civilização (visto, por essa época, como a política mais adequada à salvação dos indígenas brasileiros).

Em seguida à instalação dos quartéis, ele viria a promover o aldeamento dos botocudos. Mas nem todos os comandantes de quartéis tinham suficiente preparo para lidar com os índios. Alguns os maltratavam e exploravam, outros foram negligentes, e havia, já naquele tempo, os que discordavam da política de aldeamento, como foi o caso de Norberto Rodrigues de Medeiros, auxiliar de campo de Marlière.

Norberto, que dominava perfeitamente a língua dos botocudos, costumava aconselhá-los a não se aldearem, voltando para as matas. E se aproveitava sempre dos maus tratos dos comandantes dos quartéis para levar os índios de volta ao seu habitat natural. Mas, com o tempo, a situação dele ficou insustentável perante o comandante Marlière: desertou levando junto 40 botocudos. Foram viver juntos numa mata e ele nunca mais foi visto.

Infidelidades e deserções de lado, Marlière, a despeito de situações embaraçosas como a de que foram criadas por Norberto Rodrigues de Medeiros, encontrou sempre nos botocudos lealdade e companherismo, pois um dos seus melhores auxiliares era um botocudo: Pocrane. Afeiçoou-se a ele de tal forma que cedeu o Guido do seu nome para ser incorporado ao Pocrane. Passou a chamar-se Guido Pocrane.

Eles se conheceram em 1819, quando, em companhia de outros botocudos, foi até o quartel onde se encontrava Marlière. Pocrane converteu-se ao catolicismo; o comandante foi o seu padrinho. Dos hábitos da selva, ele manteve apenas dois: a poligamia (vivia com quatro mulheres) e a vingança sobre os índios puris, temidos pelo botocudos por serem grandes feiticeiros.

Em 1822, D. Pedro suspende a concessão de sesmarias em todo o país. Porém, a Constituição de 1824 nada estabelece sobre a questão de terras. A despeito disto, na região do Rio Doce, a concessão de sesmarias continua até 1836. Esta lacuna legal faz com que a posse direta através da invasão (armada ou não) torne-se a forma mais comum de obtenção de terras. Somente em 1850, pensando também nas conseqüências da recém-promulgada lei Eusébio de Queirós – que extinguiu o tráfico negreiro -, é editada a Lei de Terras, regulamentando o acesso e o controle das terras pelo Estado, e, principalmente, impedindo que índios, ex-escravos e até mesmo imigrantes recém-chegados se tornassem livres proprietários através de posses, deixando os fazendeiros sem mão-de-obra.

Pocrane foi o melhor auxiliar de Marlière e sofreu intensamente quando o seu benfeitor se aposentou. Faleceu aos 40 anos de idade, mas se destacou tanto no trabalho junto aos índios que uma das vilas fundadas por ele leva o seu nome: Pocrane, em Minas Gerais.

Nesta luta em favor dos botocudos, o comandante Marlière ficou até o ano de 1829, quando um ato imperial o reformou no posto de coronel e o destituiu do cargo de comandante da Divisão dos Índios do Rio Doce. Para afastá-lo do cargo, o Conselho da Província alegou sua idade avançada e doença grave.

fotos de Walter Garbe

A decisão imperial foi recebida com júbilo nas regiões de Minas Gerais e Espírito Santo, principalmente nas cidades em torno do rio Doce, onde centenas de pretendentes às terras indígenas se acumulavam esperando o momento oportuno para invadi-las. O sistema de proteção aos índios já havia se corrompido o suficiente, com diretores de quartéis e aldeamentos maltratando os índios e permitindo acessos parciais às suas terras.

Mas nessa correspondência ele haveria ainda de dizer que estava se preparando para morrer entre os índios, convencido de ter-lhes proporcionado alguns anos de paz. Mas também se julgava cúmplice da tragédia deles, ao suspeitar que a política de aldeamento acelerou a destruição dos botocudos. Melhor teria sido tê-los preservado longe dos brancos – disse nessa sua carta. Mesmo assim partia convencido de que o velho chefe Nherame (como era tratado pelos botocudos) ainda era digno do amor deles.

A contenda seguia seu curso implacável: a retirada de Marlière da atividade indigenista escancarou o território dos botocudos: houve uma invasão sem precedente, marcada também pela destruição do sistema de proteção.

Três anos depois da saída de Marlière, não havia mais um aldeamento sequer, que dirá um quartel. A região estava livre para ao assalto às terras indígenas, como de fato ocorreu. Neste período, o comandante Marlière havia se recolhido à sua fazenda, na Serra da Onça,em Minas Gerais. Ele morreu em 1836, aos 67 anos de idade.

Até 1909 os índios Krenak resistem à passagem da Vitória Minas por seu território, que começa a ser invadido, também, por colonos. Entretanto, foram sendo dizimados e expulsos, embrenhando-se cada vez mais no que restava de mata, à margem esquerda do médio Rio Doce – provavelmente a região que hoje pertence ao Parque Florestal Rio Doce (Os borun do watu, p. 111). Em 1911, foi declarada a pacificação dos índios do Vale do Rio Doce, com a (tardia) criação do Serviço de Proteção ao Índio.

FONTE DO TEXTO: Rogério Medeiros SECULODIÁRIO.COM

http://www.seculodiario.com.br/arquivo/2007/reportagens/rogerio/62.asp -

Capitão Marlère, um oficial francês que lutou contra o Império em defesa dos botocudos

http://deolhos.blogspot.com/2007/09/imagens-dos-indios-botocudos-do-rio.html  Quarta-feira, Setembro 19, 2007Imagens dos Indios Botocudos do Rio Doce

http://www.ape.es.gov.br/index2.htm  – Arquivo Público do Estado do espírito Santo.

www.psicopedagogia.com.br/semana22/rugindios.asp – retrados dos índios botocudos

ww.pousadadascores.com.br/…/indio.htm – Pvos indígenas, vida, cultura, mitos e lendas.

PESQUISA REALIZADA PARA FINS DIDÁTICOS, MAIO E JUNHO DE 2010.

 DOCUMENTO III

PREFEITURA  MUNICIPAL  DE  IPATINGA

ESTADO  DE  MINAS  GERAIS

SECRETARIA MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO

DEPARTAMENTO PEDAGÓGICO/SEÇÃO DE ENSINO FORMAL  

 Centro de Formação Pedagógica – CENFOP

 

COMUNIDADES INDÍGENAS EM MINAS GERAIS:

 

Muita gente ainda não sabe, mas no Estado de Minas Gerais há atualmente doze etnias indígenas espalhados em dezessete territórios diferentes.As etnias são: Maxakali, Xakriabá, Krenak, Aranã, Mukuriñ, Pataxó, Pataxó hã-hã-hãe, Atu-Awá-Arachá, Caxixó, Puris, Xukuru-Kariri e Pankararu.As doze etnias que vivem atualmente no Estado de Minas Gerais são pertencentes ao tronco lingüístico Macro-Jê e são aproximadamente onze mil indivíduos.

KRENAK

A aldeia Krenak, localizam-se, atualmente, na margem esquerda do rio Doce, em Minas Gerais, na zona rural do município de Resplendor na divisa com a cidade de Conselheiro Pena, numa reserva de quatro mil hectares criada pelo SPI(Serviço de Proteção ao Índio), onde vivem atualmente cerca de 70 famílias, totalizando aproximadamente 270 índios Krenak da nação “Botocudo”. que  concentrou, no fim da década de 20, outros grupos Botocudos do rio Doce: os Pojixá, Nakre-ehé, Miñajirum, Jiporók e Gutkrák, sendo este o grupo do qual os Krenák haviam se separado. Kren é cabeça. Então, Krenak, significa cabeças da terra.

A designação Botocudo, tem origem nos botoques utilizados como adornos labiaia e auriculares que  estes índios utilizavam. O nome Botocudo tem relação com a comparação feita pelos colonizadores fazendo referência ao botoque – tampa dos barris de cachaça .

ARANÃ

O povo Aranã também tem sua origem na história dos Botocudos. Distinguiam-se, no entanto, politicamente, de outros grupos Botocudos, mantendo inclusive uma pequena variação dialetal, significativa da distância que mantinham estrategicamente, como forma de reafirmarem sua diferença dos demais. Os Aranã foram aldeados pelos missionários capuchinhos em 1873, no Aldeamento Central Nossa Senhora da Conceição do Rio Doce, onde grassaram epidemias que dizimaram a população. Alguns sobreviventes migraram para o Aldeamento de Itambacuri, de onde saíram os ancestrais dos Aranãs de hoje, para o trabalho em fazendas na região do Vale do Jequitinhonha.

CAXIXÓ

Fixados nos municípios de Martinho Campos (fazenda Criciúma) e Pompéu (fazenda São José) – região centro-oeste mineira (aproximadamente 206 km de Belo Horizonte) – os Caxixó somam cerca de 100 indivíduos na comunidade do Capão do Zezinho, área rural que concentra o maior número populacional caxixó. Foi a comunidade do Capão do Zezinho, localizada às margens do rio Pará, que deu início à luta caxixó pelo reconhecimento étnico oficial.

MAXAKALI

Situados no nordeste de Minas Gerais, entre os vales do Mucuri e do Jequitinhonha, os Maxakali são habitualmente descritos pela literatura referente à etnia e pelos organismos governamentais ou não governamentais que atuam junto a eles a partir de uma dupla perspectiva: Por um lado, enfatiza-se a sua “resistência cultural” – a permanência da sua língua própria e o uso restrito do português apenas para as situações do contato interétnico; a intensa vida ritual e a recusa a se inserirem na lógica da produção capitalista – a despeito dos seus mais de duzentos anos de contato; e por outro, se lhes percebe como um “grupo problema”, devido ao alto grau de conflito e violência internos, ao alcoolismo e ás precárias condições alimentares e de saúde. Por “preservar” sua língua e tradições “originais”, os Maxakali tendem a ser percebidos como símbolo de resistência indígena em Minas Gerais e região. Na verdade, embora suas características e sua atual inserção no contexto dos demais povos indígenas da região seja de fato excepcional; ao contrário de outros segmentos indígenas que passaram por intensos processos de subjugação à autoridade colonial a partir do início do século XIX, e cujos descendentes atuais são resultantes de processos de transferências e amalgamentos (mistura) compulsórios de segmentos étnicos e linguísticos em geral originalmente muito diversos, como, tipicamente, seus vizinhos e “parentes” Pataxó atuais, os atuais Maxakali descendem de apenas dois bandos desta etnia originalmente contatados em áreas próximas à que ainda hoje se localizam.

Atualmente os Maxakali vivem em quatro áreas, as aldeias de Água Boa, município de Santa Helena de Minas; aldeia de Pradinho e Cachoeira, no município de Bertópolis; aldeia Verde, no município de Ladainha e no distrito de Topázio, no município de Teófilo Otoni.

PANKARARU

   Originários de Pernambuco, os Pankararu se espalharam por vários estados brasileiros ao longo do século XX. Este êxodo se deu devido à construção da hidrelétrica de Itaparica no Rio São Francisco, à seca, aos conflitos oriundos da luta pela terra e às inúmeras outras agressões. O grupo familiar de ‘Seu’ Eugênio Cardoso da Silva e Benvinda Vieira migrou desta região em busca de melhores condições de vida para seus filhos, tendo, durante quase 30 anos convivido com outros povos, como: Krahô, Xerente, Karajá e os Pataxó de Minas Gerais.

As etnias Pataxó, Pataxó hã-hã-hãe, Xukuru-Kariri e Pankararu são oriundos de estados do nordeste.

PATAXÓ

            O Povo Pataxó, originário do Sul da Bahia, ocupa a Fazenda Guarani, no município de Carmésia/MG desde a década de 1970, totalizando aproximadamente 300 pessoas. Há um grupo que vive no município de Itapecerica na Aldeia Muã Mimatxi e na aldeia Jundiba Cinta Vermelha, no município de Araçuaí, juntamente com uma família de Pankararu. Conhecidos pelo seu semi-nomadismo, a chegada dos Pataxó em Minas é consequência de dois fatos históricos importantes: o primeiro, quando ocorre o famoso ‘Fogo de 51′ caracterizado pela ação violenta da polícia baiana que desarticulou as aldeias, dispersando o Povo Pataxó, como forma de promover a ‘ocupação civilizada’ na região de Porto Seguro; o segundo foi a transformação de 23.000 hectares de seu território em parque nacional – o Parque Nacional do Monte Pascoal, criado em 1943, e tendo sua área limítrofe oficialmente demarcada no ano de 1961, reduzindo seu território tradicional em 23.000 hectares.

XUKURU-KARIRI

            O Povo Xukuru-Kariri é oriundo da região de Palmeiras dos Índios, em Alagoas. Após muitos conflitos de terras e mortes de índigenas, algumas famílias se mudaram para Botirama, na Bahia. Também fugindo de conflito nesta localidade alguns integrantes deste grupo, que tem como líder José Satiro, vieram, em 1998, para Minas Gerais. Ainda em 1998, os Xukuru-Kariri solicitaram à Funai a compra de uma terra para o grupo em MG. Atualmente o grupo vive no município de Caldas, na região sul do Estado.

            Os índios conhecidos sob o etnônimo englobante Pataxó Hãhãhãe abarcam, hoje, as etnias Baenã, Pataxó Hãhãhãe, Kamakã, Tupinambá, Kariri-Sapuyá e Gueren. Habitantes da região sul da Bahia. Hoje, um pequeno grupo vive no município de Teófilo Otoni, Minas Gerais.

MOKURIÑ

            Os Mokuriñ pertencem ao grande grupo dos povos chamados “Botocudos”, aldeados em Itambacuri desde o século XIX, pelos frades capuchinhos Frei Serafim de Gorízia e Frei Ângelo de Sassoferato. Os Mokuriñ vivem no município de Campanário.

XAKRIABÁ

            Antigos habitantes do Vale do São Francisco, os XaKriabá vivem no município de São João das Missões, Norte de Minas Gerais, a 720 Km de Belo Horizonte. Seu processo de contato com os não-índios não difere do ocorrido com os demais povos indígenas, em toda a sua história, sendo marcada por lutas e derramamento de sangue.

Após o ano de 1728, depois de receberem título de posse de suas terras, viveram em relativa paz, convivendo com camponeses vindos da Bahia e de outras regiões de Minas Gerais, em seus territórios e arredores que ali plantavam roças de subsistência. A partir de 1969, o desenvolvimento de projetos agrícolas na região atraiu fortes grupos empresariais e grandes fazendeiros das cidades vizinhas, acentuado-se a invasão das terras dos Xakriabá .Nos anos 1980, a tensão aumenta de forma insuportável, culminando no assassinato de grandes lideranças indígenas.

CAFÚ-AWA-ARACHÁS

            O povo indígena Catú-awa-arachás, encontra-se em Araxá, Minas Gerais, devidamente organizados na Associação Andaiá. Os Puris estão se organizados no município de Araponga região da Mata, é bastante recente, como no caso dos Catú-awa-arachás, a emergência étnica destes dois povos.

OBSERVAÇÃO:

            Na região metropolitana de Belo Horizonte vivem diversas famílias de grupos étnicos distintos de Minas Gerais e de outros estados, sobretudo da Bahia. Há grupos familiares de Aranãs, Xakriabás, Caxixó, pataxó, Pataxó hã-hã-hãe, entre outros.

            Estes grupos migraram para o centro urbano em busca de uma qualidade de vida melhor, já que muitos perderam o território ao longo da história de ocupação das áreas indígenas no interior do país. Os grupos que vivem na cidade possuem direitos e devem se organizar para buscar e reivindica-los perante o Estado e a sociedade envolvente.

            Muita gente ainda não sabe, mas em Minas vivem pelo menos oito nações indígenas. São elas: Maxakali, Pataxó, Krenak, Xacriabá, Xucuru-kariri, Pankararu, Aranã e Kaxixó.

REFERÊNCIAS:

http://www.cedefes.org.br/index.php?p=colunistas_detalhe&id_pro=7 –  As comunidades indígenas em Minas Gerais

http://blog-do-netuno.blogspot.com/2009/10/populacao-indigena-de-minas-gerais.html

http://www.sed.sc.gov.br/educadores/nucleo-de-educacao-indigena?start=2
COUTINHO, José Caetano da Silva. O Espírito Santo em princípios do século XIX: apontamentos  feitos pelo bispo do Rio de Janeiro quando de sua visita à capitania do Espírito Santo nos anos de 1812 e 1819. Vitória: Estação Capixaba e Cultural – ES, 2002.

DUARTE,  Regina  Horta  (Org.).  Notícia  sobre  os  selvagens  do  Mucuri.  Belo Horizonte: Ed. UFMG, 2002.

ESPINDOLA, Haruf Salmem. Sertão do Rio Doce. Bauru: EDUSC, 2005.

MELLO, Judith Freitas de A. Índios do Espírito Santo. Revista do IHGES, Vitória, no 22/24, p. 49-73,

pesquisa para fins didáticos, realizada em julho de 2011

 DOCUMENTO IV

PREFEITURA  MUNICIPAL  DE  IPATINGA

ESTADO  DE  MINAS  GERAIS

SECRETARIA MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO

  DEPARTAMENTO PEDAGÓGICO/SEÇÃO DE ENSINO FORMAL  

 Centro de Formação Pedagógica – CENFOP

OS “BOTOCUDOS”

Os Botocudos são atualmente cerca de 70 famílias, totalizando aproximadamente 270 índios Krenak da nação “Botocudo”. que  concentrou, no fim da década de 20, outros grupos Botocudo do rio Doce: os Pojixá, Nakre-ehé, Miñajirum, Jiporók e Gutkrák, sendo este o grupo do qual os Krenák haviam se separado. Eram falantes de uma mesma língua, apesar das significativas variações dialetais que serviam para demarcar diferenças entre os diversos grupos dos quais se compunham.

São pertencentes ao tronco lingüístico Macro-Jê, na língua Borum, Kren é cabeça, então, Krenak, significa cabeças da terra.

A designação Botocudo, tem origem nos botoques utilizados como adornos labiais e auriculares que estes índios utilizavam. O nome  Botocudo tem relação com a comparação feita pelos colonizadores fazendo referência ao botoque – tampa dos barris de cachaça . Estes adornos na cultura Borum (Botocudo) tem relação com os rituais de passagem da infância para a idade adulta e se tornam parte integrante da personalidade do indígena, tanto que sentiam-se envergonhados se alguém os visse sem eles, principalmente sem os botoques labiais. Os botoques eram, fabricados , preferencialmente  com a madeira da árvore barriguda por ser mais  leve.

As  mulheres viviam nuas durante toda vida, já os homens a partir dos doze anos usavam uma espécie de tanga para cobrir  o órgão sexual. Alguns índios usavam também colares  de contas alternados a dentes de animais.

Seu instrumento musical predileto é a flauta feita de bambu que carregam sempre consigo  e que tocavam , preferencialmente, pelo nariz ( como os indígenas da ilha de Tongo na Oceania).

Os “Botocudos” não eram ribeirinhos, mas gente do sertão. Gostavam de ficar na beira dos rios porque os rios eram uma fonte de alimentação, além de uma orientação de rota. Na sua natural sabedoria, buscavam lugares saudáveis e com água limpa.

Na época do contato com os colonizadores eram, predominantemente, caçadores e coletores seminômades, com organização social caracterizada pelo constante fracionamento do grupo, pela divisão do trabalho por sexo e idade e um sistema de crença centrado na figura dos Marét e dos espíritos encantados de seus mortos, os Nanitiong, responsáveis pela fecundação das mulheres humanas e por emitir avisos de morte. Os Marét, habitantes das esferas superiores, eram os grandes ordenadores dos fenômenos da natureza e, dentre eles, se destacava o Marét-khamaknian, herói criador dos homens e do mundo, benevolente e civilizador da humanidade

Os grupos de Botocudos eram formados de aproximadamente 50 pessoas. Existiam inúmeros grupos. Como na maioria dos grupos a organização era familiar se fazia necessário que os casamento não se realizassem com membros da mesma tribo.Sendo esta uma das causas das guerras entre eles. Quem perdia deveria enviar uma mulher para o grupo rival que vencera. Desta forma se evitaria relações incestuosas com casamentos entre parentes muito próximos. Há uma grande possibilidade de que as guerras para os Botocudo, seria uma forma de efervecência, superatividade e concentração de pessoas, período necessário a toda sociedade para reavivar os laços sociais.

A guerras com outras etnias se dava em muitas vezes devido a invasão de territótio de caça ou movidos por crenças de que o grupo rival enviara flechas mágicas que provocaram doença e morte a seus membros.

 as guerras, pintavam o corpo. O rosto do nariz para cima de urucum o restante, excetuando-se o antebraço e a panturrilha, pintavam de genipapo. Facavam com o rosto vermelho e o corpo preto.

O s Botocudos eram muito temidos pelos Maxakalis, Malalis, Manoxós,Capaxós e Pataxós que mantinham distância pois as relações violentas partiam dos Botocudos e os outros grupos indígenas tinham medo deles.

Estrategicamente os Maxacalis e outros deixavam o colonizador acreditar que os tinha domado ou amansado e em seguida fugiam dos aldeamentos. Os Botocudos sempre optavam pela guerra e sofreram muitas baixas na luta desigual entre espadas e armas de fogo contra flechas e armadilhas.

Seu espírito guerreiro e o fato de nunca terem se rendido aos colonizadores acabou destruindo seu povo, mas ainda assim falam que não havia outro jeito. Borum não desiste facilmente, brigam até o fim, isto os fazem diferentes.

Na guerra com o colonizador a tática de emboscadas era uma vantagem para os índios que conheciam bem as matas, mas desigual nas tecnologias e inconcebíveis para os índios na forma cruel com que o colonizador matava mulheres e crianças.

Outras entidades das crenças dos “Botocudos” eram os espíritos da natureza – os tokón -, responsáveis pela eleição dos seus intermediários na terra, os xamãs, com os quais mantinham contacto durante os rituais e que, quase sempre, acumulavam o cargo de líderes políticos. Havia, ainda, as almas, espíritos que viviam nos corpos dos humanos, adquiridos a partir dos quatro anos de idade, quando eram implantados os primeiros botoques labiais e auriculares. A alma principal abandonava o corpo durante o sono e, quando se perdia, ocorria a doença. Antes de a pessoa morrer, sua alma principal morria dentro de seu corpo. As outras seis almas que habitavam o corpo acompanhavam o cadáver até seu túmulo, sobre o qual voavam, chorando. Eram invisíveis para os membros da comunidade presentes à cerimônia. Caso suas necessidades de alimento e luz não fossem atendidas, essas almas complementares poderiam transformar-se em onças e ameaçar a aldeia, pois, não se alimentando, morreriam de fome. Passados alguns anos, espíritos bondosos da esfera superior vinham buscá-las para seu espaço, de onde não mais voltavam. Dos ossos dos cadáveres, surgiam espíritos que passavam a morar no mundo subterrâneo, no qual o sol brilhava durante a noite terrestre. Eram espíritos grandes, maus e negros que vagavam pela aldeia atacando os vivos, principalmente as mulheres, desenterravam os mortos, batiam no chão, assustando a todos, matando animais por espancamento. As vítimas se defendiam tentando surrá-los e evitando saírem de seus abrigos durante a noite.

Durante os primeiros 300 anos de colonização do Brasil, A Coroa portuguesa impedia a passagem direta da região das minas até o litoral, para evitar o contrabando de ouro e diamantes. Criou-se, assim, o chamado “sertão do leste”  (a região leste do Estado de Minas Gerais não podia ser explorada). Com o esgotamento das minas, no fim do século XVIII, Derrubar e explorar a Mata Atlântica tornou-se uma necessidade. Só depois que liberaram a mata, viram como ela estava cheia de tribos. Durante uns cento e tantos anos ficaram ali e a Coroa não se preocupava com eles, os “Botocudo” ficavam à vontade na mata do Rio Doce. O enfrentamento com os colonizadores só aconteceu de fato depois que os brancos decidiram pela guarra. Antes somente se interessavam pela madeira existente na mata e agora queriam se apossar, expulsar e exterminar os indígenas que nelas vivia.

O território original dos Botocudos era a Mata Atlântica no Baixo Recôncavo Baiano, tendo sido expulsos do litoral pelos Tupi, quando passaram a ocupar a faixa de floresta paralela, conhecida por Floresta Latifoliada Tropical Úmida da Encosta ou Mata Pluvial Tropical, localizada entre a Mata Atlântica e o rebordo do Planalto. Depois do século XIX deslocaram-se para o sul, atingindo o rio Doce em Minas Gerais e Espírito Santo.

Desde os primeiros contatos, ainda no século XVI, foram acusados de antropofagia, o que não se confirma. Entretanto, este sempre foi o grande argumento para justificar as constantes decretações de Guerra Justa e convencer os grupos indígenas com que viviam em conflito – Tupi, Malalí, Makoní, Pataxó, Maxakalí, Pañâme, Kopoxó e Kamakã-Mongoió – a se aldearem com promessas de proteção e acesso aos bens da sociedade, como armas de fogo. Apesar da resistência tenaz, os grupos Botocudos foram aldeados por militares, diretores leigos e missionários em vários pontos dos atuais estados da Bahia, Minas Gerais e Espírito Santo a partir da decretação da Guerra Justa autorizada pelo governo português através das Cartas Régias de 13 de maio, 24 de agosto e 2 de dezembro de 1808 assinadas no Rio de Janeiro pelo Príncipe Regente D. João.

A primeira Carta Régia determinava a guerra ofensiva aos Botocudos de Minas Gerais por considerar que os mesmos eram irredutíveis à civilização e que a guerra de caráter defensivo não surtia os efeitos desejados no tocante a garantir a expansão da conquista naquela capitania. A segunda autorizava o Governador e Capitão General da mesma capitania a criar uma tropa especializada no combate a índios para viabilizar a guerra ofensiva determinada na Carta Régia anterior. Finalmente, a terceira estabelecia planos acerca de como promover a educação religiosa dos índios e seu efetivo controle como forma de viabilizar a navegação dos rios e o cultivo dos terrenos ocupados pelos Botocudos. No contexto desse plano, o Príncipe autorizava o confisco das terras ocupadas por esses grupos, que passavam a ser consideradas como devolutas e deveriam ser distribuídas como sesmarias, particularmente entre os que se destacassem na guerra ofensiva. A esses novos proprietários também era garantido o livre acesso ao trabalho dos indígenas que fossem capturados em atitude aguerrida por um período que variava entre doze e vinte anos, a depender do grau de rusticidade e dificuldade dos aprisionados em apreenderem as novas formas de trabalho. Também era prevista a criação de aldeamentos administrados por particulares para educar os índios que se submetessem e se apresentassem “com interesse e boa disposição”.

Embora as três Cartas Régias se referissem especificamente à capitania de Minas Gerais, as suas deliberações foram estendidas às capitanias da Bahia e Espírito Santo no mesmo ano para atender às solicitações de seus governadores.

Por volta de 1808, já ia longe o massacre dos índios botocudos. A região era um verdadeiro palco de guerra onde militares e sanguinários caçadores de negros se esmeravam para dar fim a uma das mais importantes nações indígenas da época.

A extinção dos botocudos fazia, inclusive, parte dos planos do Império, a ponto de ser editado um decreto pelo conde Linhares (dom Rodrigo Coutinho), seu ministro da Agricultura, oficializando o massacre. O decreto premiava todos aqueles que capturassem ou matassem um botocudo. O terror se convertiaem lei. Foio jeito encontrado pela Coroa para abrir o caminho às minas de ouro de Minas Gerais e, conseqüentemente, ao povoamento da região do rio Doce.

Os registros de suas lutas os elevam ao grau do selvagem mais bravo de todos os que existiram em território brasileiro, a ponto de a história registrar que nunca foram derrotados, mas chacinados. Sustentaram quatro séculos de luta

O grupo liderado por Krenak foi o último a negociar com as autoridades governamentais seu processo de ‘pacificação’ e ‘civilização’, ocorrido logo no início dos trabalhos do recém-inaugurado Serviço de Proteção aos Índios e Localização de Trabalhadores Nacionais, em 1911.

Hoje o contingente demográfico dos Botocudos do Leste está reduzido a duzentos e setenta, sendo, na sua maioria, composto de crianças e jovens descendentes de relações interétnicas entre os Krenák com outros grupos indígenas, como os Guarani e os Kaingang, e com a população regional.

As principais razões dessa predominância de mestiços foram a invasão por moradores da região e o arrendamento pelo Sistema de Proteção ao Índio (SPI) das terras do Posto Indígena Krenák, o processo de diáspora ( deslocamento, normalmente forçado ou incentivado, de grandes massas populacionais originárias de uma zona determinada para várias áreas de acolhimento distintas). sofrida ao longo da administração do SPI e da FUNAI – em 1953 para o Posto Indígena Maxakalí, de onde retornaram a pé em 1959, e em 1973 para a Fazenda Guarani -, e a convivência com os chamados “índios infratores” deslocados pela Fundação Nacional do Índio (FUNAI) de vários pontos do país, a partir de 1968, para o Reformatório Agrícola Indígena ou Centro de Reeducação Indígena Krenák.

Algumas famílias vivem em moradias bem simples como antigamente. Casas de chão batido, cozinham em fogareiro de cupinzeiro em cima da pedra, comem carne moqueada, peixe moqueado assado na pedra, batata e madioca tirada das cinzas

Há uma grande reclamação sobre a qualidade das águas do WATU,  Rio Doce, No meio dela há partículas de mercúrio, bauxita e outros minérios pesados, fora os resíduos jogados no Rio Doce pelos municípios, desde o Rio Piracicaba. Quando o índio toma banho, sai bronzeado, mineralizado. È preciso recuperar o Rio Doce.  e enquanto isso, buscar formas de o índio receber, água de boa qualidade.Não se pode mais tomar banho ou beber das águas do rio Doce (Watu). Os rituais eram realizados em uma ilha do rio Doce (Wuru), lá eram realizdos os rituais de passagem das crianças menores de 11 anos e os festejos. Hoje há impossibilidade de utilização das águas do rio Doce que virou uma lixeira a céu abeto, onde se joga tudo que não presta.

Atualmente os povos indígenas de todo o Brasil realizam uma revolução educacional. Desde a Constituição de 1988, que assegura às comunidades indígenas “a utilização de suas línguas maternas e processos próprios de aprendizagem”, os governos estaduais deram início a programas educacionais diferenciados direcionados a estes povos. Em Minas em 1995 teve início o Programa de Implantação de Escolas Indígenas, que já formou turmas de professores indígenas em nível de magistério, dos quais 130 foram aprovados em dezembro no primeiro Vestibular indígena da UFMG.

Como conseqüência dessa nova proposta educacional para os índios, sua cultura está se transformando em livros, CDs, filmes, até mesmo para que as crianças índias tenham material didático a ser usado nas escolas indígenas.

CRENÇAS E TRADIÇÕES:

O taruandé,  é um rito que os Krenak guardaram na memória . Taru é o céu, taruandé é um movimento que o céu faz de aproximação com a Terra. No taruandé os meninos que ainda estão engatinhando, os homens, as mulheres, os mais velhos cantam e dançam juntos, como uma brincadeira de roda. Repetindo frases na sua língua materna que diz: “O meu avô é a montanha”, “Você é meu avô e o rio”, “Você é peixe pra eu comer”, “Você me dá remédio para a minha saúde”, “Você esclarece minha mente e meu espírito”, então “O vento, o fogo, o sol, a lua”. Ficam repetindo essas frases na sua língua ancestral, batendo o pé no chão, tocando maracá, acendendo fogo, pulando na água fria, buscando saúde, fazendo a terapia muito especial e afirmando a sua própria identidade.

Sua crença está centrada na figura dos Marét e dos espíritos encantados de seus mortos, os Nanitiong, responsáveis pela fecundação das mulheres humanas e por emitir avisos de morte. Os Marét, habitantes das esferas superiores, eram os grandes ordenadores dos fenômenos da natureza e, dentre eles, se destacava o Marét-khamaknian, herói criador dos homens e do mundo, benevolente e civilizador da humanidade.

Outras entidades das crenças dos “Botocudos” eram os espíritos da natureza – os tokón -, responsáveis pela eleição dos seus intermediários na terra, os xamãs, com os quais mantinham contacto durante os rituais e que, quase sempre, acumulavam o cSuaargo de líderes políticos. Havia, ainda, as almas, espíritos que viviam nos corpos dos humanos, adquiridos a partir dos quatro anos de idade, quando eram implantados os primeiros botoques labiais e auriculares. A alma principal abandonava o corpo durante o sono e, quando se perdia, ocorria a doença. Antes de a pessoa morrer, sua alma principal morria dentro de seu corpo. As outras seis almas que habitavam o corpo acompanhavam o cadáver até seu túmulo, sobre o qual voavam, chorando. Eram invisíveis para os membros da comunidade presentes à cerimônia. Caso suas necessidades de alimento e luz não fossem atendidas, essas almas complementares poderiam transformar-se em onças e ameaçar a aldeia, pois, não se alimentando, morreriam de fome. Passados alguns anos, espíritos bondosos da esfera superior vinham buscá-las para seu espaço, de onde não mais voltavam. Dos ossos dos cadáveres, surgiam espíritos que passavam a morar no mundo subterrâneo, no qual o sol brilhava durante a noite terrestre. Eram espíritos grandes, maus e negros que vagavam pela aldeia atacando os vivos, principalmente as mulheres, desenterravam os mortos, batiam no chão, assustando a todos, matando animais por espancamento. As vítimas se defendiam tentando surrá-los e evitando saírem de seus abrigos durante a noite.

FIM DA GUERRA CONTRA OS BOTOCUDOS:

Mesmo com a atuação de Guido Marliére e a mobilização humanista em favor dos índios Botocudos, Marliére assumiu e iniciou a sua tarefa de pacificar os botocudos pela criação de quartéis, em regiões estratégicas, ao longo das margens do rio Doce, em territórios capixaba e mineiro. Tomou para si a missão de integrá-los à civilização (visto, por essa época, como a política mais adequada à salvação dos indígenas brasileiros).Apesar de seus esforços continuava a matança. Pois muitos índios eram encorajados a fugir ou não se aldearem pelos próprios comandantes dos quartéis de aldeamento.

Quando acabou a guerra, se é que houve o final dessa guerra, uma missão de capuchinhos estava tentando consolidar um assentamento onde viviam mais de 2.700 “Botocudo”. Uns cacos de gente, no final do século XIX, lá num vilarejo em Itambacuri, no vale do Mucuri. Em 1893, houve uma rebelião. Os índios mataram os que chefiavam a missão dos capuchinhos e saquearam propriedades e sítios. De 1893 até 1910, 1915, havia muito ressentimento e ninguém queria ver aqueles índios que fugiram da missão, quase mansos, e que de novo viraram bravos. O problema é que nessa segunda rebelião os índios não estavam mais com arco e flecha, mas com carabina. Começaram a assaltar as tropas com rifle e munição. Tomaram as armas dos tropeiros e formaram uma jagunçagem. No meio dessa jagunçagem surgiu um capitão, um sujeito guerreiro, o capitão Krenak.

Esses guerreiros deram muito trabalho na ocupação do Rio Doce, naquele lugar, que hoje tem o nome de Nanuk, palavra na língua dos “Botocudos”. Nome de um cara rebelde, que comandava uma horda de bravos guerreiros, cercando as tropas. Seguiam pela rota de tropeiros que havia na região, tomando suprimentos de qualquer provedor. Alimentavam os grupos de seus guerreiros na Serra dos Aimorés. Foi aí que o marechal Rondon, com o Serviço de Proteção aos Índios (SPI), mandou seus bons indianistas/sertanistas, que saíam do Rio de Janeiro, de Cuiabá e de outras regiões, para pacificar os “Botocudo”. Assim foram pacificados esses últimos guerreiros. Desses sertanistas, alguns eram oficiais. Eles atribuíram a patente de capitão a esse Krenak. Somos descendentes da família dele. Trocou o botoque dele, com um fotógrafo, por comida. Roquete Pinto fez uma foto dele quando ele já estava tuberculoso. Em troca de sua foto, ganhou os brincos e os anéis da orelha, que foram levados para o museu.

Desse período de 1910-1925, são pequenas narrativas que contam os momentos de visita de autoridades, os momentos de namoro e depois os momentos de matar todo mundo. Até que, em 1922, por orientação do marechal Rondon e da turma dele que havia criado o SPI, houve a localização desses índios. Rondon deu um jeito para arrumar um lugar para aqueles índios, demarcando uma reserva, um território para eles, e liberava o entorno dos assentamentos. Chamava trabalhadores nacionais e organizava uma colonização. Rondon dirigia, ao mesmo tempo, o Serviço de Proteção dos Índios e também a localização de trabalhadores.

CURIOSIDADES:

Os  aimorés não eram uma etnia. Eles eram chamados de aimorés pelos Tupi do litoral, muito sabidos. Eles chamavam todos índios do mato de embaré, porque usavam esse nome no sentido de serem brutos. Eram jagunços dos brancos e chamavam as outras tribos de gente do mato. Assim, esse nome “aimoré” não nomeia um povo, era um apelido dados pelos Tupi.

Ninguém descreveu esses aimorés. Mas sobre os “Botocudo” há diversas referências e ordens sobre os quartéis espalhados, entre Espírito Santo e Minas. Informações sobre centenas deles presos, vigiados e impedidos de sair dos quartéis. Isso ocorreu no final do século XVIII, quando os administradores estavam apavorados e por isso pediram uma ordem de guerra contra os “Botocudo”.

Muitos nomes, frequentemente, usados para designar alguns grupos indígenas na verdade fazem referência ao lugar onde viviam.

Alguns índios Botocudos casavam-se com mais de uma mulher.

QUE TIPOS DE HÁBITOS APRENDEMOS COM OS ÍNDIOS:

É de grande importância a colaboração que os índios deram para a formação da cultura brasileira, principalmente, na Literatura, na Culinária, nos usos e costumes. Quem ainda conhece a arapuca de pegar passarinhos? E o bodoque ou estilingue; a pesca com linha de anzol, que, no início, era feito de osso, madeira ou espinha de peixe? O arpão, o arco de flecha, o uso de envenenar a flecha para fisgar o peixe?

Na culinária indígena, a mandioca era o prato principal, além do cará, do inhame, da batata-doce, do amendoim, da moqueca, dos bolos e dos mingaus. Com o milho, as mulheres preparavam a canjica, a pamonha e as bebidas fermentadas . A cabaça, a gamela, o coité e o coco eram cortados ao meio e usados como utensílios domésticos.

Os índios tomavam banho no rio, andavam descalços, sentavam de cócoras, costumes que ainda usamos como herança cultural deles. Muitas danças e cantigas, certas práticas religiosas, receitas culinárias e medicinais, algumas lendas e supertições, várias palavras do nosso vocabulário são contribuições do índio. O cruzamento das raças indígenas com o branco resultou no mameluco, o mestiço que ainda hoje é tão comum no interior do Brasil, principalmente no Oeste. O historiador Couto Magalhães elogiou esse cruzamento, alegando ser uma raça excelente e de muita coragem.
O cafuso é o resultado do cruzamento de índio com negro. De acordo com Couto Magalhães, é uma raça inteligente, de cabelos corridos e pele cor de azeitona. No Sul do Brasil, é conhecido como caburé. No Norte, recebe o nome de cafuz. Estes são alguns itens que cultivamos até hoje, herança dos nativos

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Erré Krenak. Dir.: Nivea Dias; Alessandro Carvalho; Cristiane Zago. Vídeo cor, NTSC, 20 min., 1998. Prod.: Cimi Leste; Centro de Documentação Elói Ferreira da Silva.

PESQUISA REALIZADA PARA FINS DIDÁTICOS, MAIO E JUNHO DE 2010.

ASSESSORIA PEDAGÓGICA DA PREFEITURA MUNICIPAL DE IPATINGA.

Clicar no indiozinho para fazer download de lendas e histórias dos povos indígenas

Veja imagens e outros links com mais informações sobre os índios ‘Botocudos” 

Entrevista completa com AILTON KRENAK , falando sobre o genocídio dos “Botocudos” 

http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-40142009000100014&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt

A luta  de GUIDO MARLIÉRE para salvar os “Botocudos” do genocídio

http://www.seculodiario.com.br/arquivo/2007/reportagens/rogerio/62.asp -

 

Imagens dos “Botocudos”

http://deolhos.blogspot.com/2007/09/imagens-dos-indios-botocudos-do-rio.html

http://www.ape.es.gov.br/index2.htm  – Arquivo Público do Estado do espírito Santo.

www.psicopedagogia.com.br/semana22/rugindios.asp – retrados dos índios botocudos

www.pousadadascores.com.br/…/indio.htm -Povos indígenas, vida, cultura, mitos e lendas. ( Cartilha raízes indígenas – série o índio)

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